
Causas
As informações destinadas a pacientes e seus familiares foram traduzidas do site www.neurosymptoms.org por Bruna Bartorelli mediante autorização de seu organizador, Professor Jon Stone, neurologista especialista em transtornos neurológicos funcionais da Universidade de Edimburgo, Escócia.
Será que o diagnóstico está errado?
Os pacientes com sintomas funcionais/conversivos ficam muitas vezes preocupados com um possível erro de diagnóstico. Principalmente porque não há nenhum tipo de exame ou teste sanguíneo que possa confirmá-lo.
Existem muitos problemas neurológicos. Os mais comuns são:
• Doença de Parkinson
• Miastenia gravis
• Doença do neurônio motor (também chamada esclerose lateral amiotrófica)
• Neuropatia periférica
• Compressão de raízes nervosas ou da medula
• Acidente vascular cerebral (AVC)
• Epilepsia
• Dores de cabeça/ enxaqueca
• Sintomas funcionais/ conversivos
• Esclerose múltipla
• Tumores cerebrais
Por outro lado, há apenas um número limitado de sintomas neurológicos. Os mais comuns são:
Tonturas
Sintomas visuais – dificuldades de visão, visão dupla
Dores no pescoço, costas e membros
Tremores, sobressaltos, espasmos e contraturas
Sintomas urinários
Dores de cabeça
Fraqueza muscular
Sintomas sensitivos
Desmaios
Alterações de memória/ cognitivas
Sintomas da fala/ deglutição
Este estudo reuniu trabalhos anteriores, analisando com que frequência os médicos erraram no diagnóstico de sintomas neurológicos funcionais. As taxas de erro de diagnóstico estão em torno de 5% desde 1970. Essa é a taxa de erro para todas as condições neurológicas (Stone et al. BMJ. 2005; 331: 989; doi: 10.1136 / bmj.38628.466898.55).
De fato, como o número de sintomas neurológicos é limitado, provavelmente alguém que desenvolva algum deles poderá se perguntar se tem algum transtorno neurológico frequente (ou raro).
Este site não pretende explicar como um neurologista diagnostica todos esses transtornos. Mas essa lista realça o fato de que os neurologistas estão muito familiarizados com os sintomas que têm te preocupado, assim como afligido sua família e seus amigos.
Pode ser surpreendente ver os sintomas funcionais/conversivos posicionados tão acima na lista, até porque pouca gente já ouviu falar deles. De fato, cerca de 15% das pessoas observadas pela primeira vez nas consultas de neurologia no Reino Unido têm sintomas diagnosticados como funcionais ou conversivos. Cerca de 5% de todos os novos pacientes em consulta têm sintomas de fraqueza, desmaios ou dormência que são funcionais/ conversivos.
Se o seu neurologista acha que você apresenta sintomas funcionais ou conversivos, é provável que ele tenha bons motivos para isso. Possivelmente há sinais positivos de que o problema é funcional, e não apenas porque a tomografia computadorizada, a ressonância magnética ou outros exames são normais. Conheça os sinais positivos de fraqueza funcional, alteração sensitiva funcional e crises conversivas.
Da mesma forma que o neurologista diagnostica doença de Parkinson, enxaqueca e epilepsia à beira do leito através de uma história clínica e de um exame físico detalhados (e sem testes adicionais), também os sintomas funcionais e conversivos podem ser diagnosticados com precisão.
As coisas podem ser mais complexas quando o paciente já apresenta uma doença neurológica (como esclerose múltipla) e evidência clara de que existem sintomas funcionais (como fraqueza funcional). Em algumas pessoas, ter doença neurológica pode mesmo desencadear o aparecimento de sintomas funcionais, e o neurologista deve pensar nessa hipótese. É por isso que são feitos exames mesmo quando o diagnóstico parece evidente. Algumas pessoas podem ter dois diagnósticos – uma doença neurológica e sintomas funcionais que se sobrepõem. Por exemplo, 10% das pessoas que têm crises conversivas também possuem epilepsia (mas 90% não).
É reconfortante, no entanto, que os estudos que verificaram quanto é que os neurologistas erram no diagnóstico tendem a concordar entre si (pelo menos nos últimos 30 anos) e mostram que a proporção de casos em que o diagnóstico é errado é de cerca de 5%. O gráfico da direita se baseia em 27 estudos e quase 1.500 pacientes seguidos em média durante cinco anos. Ele mostra como o diagnóstico se mostrou mais preciso ao longo dos anos.
Uma taxa de diagnósticos errados de 5% pode parecer muito elevada, mas, talvez de forma surpreendente, é menor do que a quantidade de diagnósticos errados de epilepsia ou esclerose múltipla e semelhante à proporção de pacientes que erroneamente tem diagnóstico de doença do neurônio motor.
As evidências sugerem que um diagnóstico errado de um transtorno neurológico quando o problema é de fato funcional/conversivo é tão comum quanto o inverso.
Conclusão:
Qualquer médico, em geral um neurologista, que faz um diagnóstico de sintoma funcional ou conversivo deverá estar bem familiarizado tanto com os possíveis transtornos neurológicos que esses sintomas podem representar como também com as características positivas dos sintomas funcionais. Mesmo assim, por vezes surgem erros, mas não mais do que acontece em qualquer outro diagnóstico neurológico.