
Transtorno Factício
O que é o Transtorno
Factício?
O transtorno factício caracteriza-se pela produção intencional de sintomas, físicos ou psicológicos, com o objetivo de receber atenção médica.
O Transtorno Factício pode ser auto imposto, quando o próprio paciente provoca doenças em si próprio, ou imposto a outro, quando o cuidador faz adoecer propositalmente uma pessoa sob seus cuidados.
Síndrome de Munchausen
O quadro foi descrito pela primeira vez por Richard Asher em 1951 com o nome Síndrome de Munchausen após a observação de três casos de pacientes com características em comum: inúmeras internações, múltiplas cirurgias, nomes falsos, histórias inverossímeis e evasão. Apesar de serem usados como sinônimo, a Síndrome de Munchausen é uma variante mais grave do Transtorno Factício e compreende apenas 10% dos casos.
Conteúdo extraído do DSM-5
Critérios Diagnósticos do Transtorno Factício Autoimposto
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Falsificação de sinais ou sintomas físicos ou psicológicos, ou indução de lesão ou doença, associada a fraude identificada.
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O indivíduo se apresenta a outros como doente, incapacitado ou lesionado.
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O comportamento fraudulento é evidente mesmo na ausência de recompensas externas óbvias.
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O comportamento não é mais bem explicado por outro transtorno mental, como transtorno delirante ou outra condição psicótica.
Subtipos de sintoma: Episódio único Episódios recorrentes (dois ou mais eventos de falsificação de doença e/ou indução de lesão)
Critérios diagnósticos do
Transtorno Factício Imposto a Outro
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Falsificação de sinais ou sintomas físicos ou psicológicos, ou indução de lesão ou doença em outro, associada a fraude identificada.
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O indivíduo apresenta outro (vítima) a terceiros como doente, incapacitado ou lesionado.
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O comportamento fraudulento é evidente até mesmo na ausência de recompensas externas óbvias.
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O comportamento não é mais bem explicado por outro transtorno mental, como transtorno delirante ou outro transtorno psicótico.
Nota: O agente, não a vítima, recebe esse diagnóstico.
Subtipos de sintoma:
Episódios recorrentes (dois ou mais eventos de falsificação de doença e/ou indução de lesão)
Episódio único
Nota para o Profissional da Saúde
Em ambos os diagnósticos é necessário especificar entre Episódio único ou Episódios recorrentes (dois ou mais eventos de falsificação de doença e/ou indução de lesão)
Escala de gravidade do
Transtorno Factício
Existem várias maneiras de falsificar uma doença:
Leve: criar uma história falsa de sintomas: paciente procura atendimento médico, geralmente em serviços de emergência, referindo sintomas factícios como síncope, dor precordial, febre, tosse, hematêmese, etc e acaba sendo extensivamente investigado para estas queixas. Este processo pode repetir-se em vários serviços.
Moderada: simular sintomas: fingir crises epilépticas, dor abdominal, desmaios, alterar exames, por exemplo, contaminando amostras de urina ou sangue com fezes ou outras substâncias. Agravar condições pré-existentes deixando de tratar-se adequadamente ou expondo-se a fatores desencadeantes.
Grave: provocar efetivamente uma doença em si próprio através do uso velado de substâncias como anticoagulantes, diuréticos, antineoplásicos, contaminação e manipulação de feridas, provocar lesões de pele e mucosas, etc. Na verdade, qualquer quadro pode ser falsificado, dependendo do conhecimento médico e criatividade do paciente.
Perfil do paciente com Transtorno Factício
É bastante comum que pacientes com transtorno factício sejam profissionais da área da saúde ou familiares dos mesmos, tendo familiaridade com o meio médico.
A evolução do quadro é variável, podendo ocorrer episódios pontuais em períodos de maior tensão em indivíduos normalmente funcionais até os quadros muito severos onde o paciente cronicamente inflige doenças em si próprio para receber cuidados em inúmeros serviços, podendo chegar a óbito devido a complicações.
Apesar do transtorno factício imposto a outro ser amplamente descrito em crianças, idosos são igualmente vulneráveis a sofrer este tipo de abuso. Neste caso o cuidador faz adoecer um idoso sob seus cuidados através de envenenamento, asfixia, uso incorreto de medicações, agravamento deliberado de doenças pré-existentes, desidratação, etc.
O diagnóstico de TF imposto é dado ao cuidador, geralmente pessoas da família que aparentam num primeiro momento serem extremamente zelosas e solícitas.
Conteúdo extraído do DSM-5