
Orientações para pacientes e familiares
As informações destinadas a pacientes e seus familiares foram traduzidas do site www.neurosymptoms.org por Bruna Bartorelli mediante autorização de seu organizador, Professor Jon Stone, neurologista especialista em transtornos neurológicos funcionais da Universidade de Edimburgo, Escócia.
Desânimo e depressão
A depressão pode ser diagnosticada em alguém que não se sente triste, mas que perdeu o interesse nas coisas, está constantemente cansado, tem pouca concentração, perturbações de sono ou alterações do apetite.
Sentimentos de depressão e desânimo são comuns em pacientes com sintomas neurológicos funcionais e dissociativos.
Sintomas neurológicos funcionais relacionados ao desânimo e depressão
Se você se sentir deprimido, triste ou desanimado, isso não significa que essa seja a causa dos seus sintomas. Você poderá ficar sensível quando os médicos ou outras pessoas lhe perguntarem como está se sentindo, mas um bom médico deve perguntar sempre isso, independentemente do seu diagnóstico.
Por exemplo: pacientes com esclerose múltipla podem sofrer de ansiedade e depressão. Quando isso acontece, a sua qualidade de vida geralmente não é tão boa, então é importante fazer o que for possível para melhorar esses sintomas. O que se passa com os sintomas funcionais não é diferente.
Admitir depressão ou desânimo não significa que você tenha uma “doença mental”/ “é tudo da sua cabeça”/ “falta de vontade” ou qualquer outra coisa que algumas pessoas (e talvez até você!) possam pensar.
Há muito estigma nesse tipo de problema, e nem sempre é fácil lidar com ele.
A causa mais comum de humor deprimido em pacientes com sintomas funcionais é a tristeza em relação aos próprios sintomas. Por que motivo eles surgiram? Por que ninguém parece acreditar em mim? Posso estar ficando maluco? Ficarei incapacitado no futuro?
O fato de esses sentimentos estarem relacionados com os seus sintomas não significa que sejam devidos a eles.
Sintomas do desânimo e depressão
Informações relevantes sobre o
desânimo e depressão
Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância ou a outra condição médica.
A ocorrência do episódio depressivo maior não é mais bem explicada por transtorno esquizoafetivo, esquizofrenia, transtorno esquizofreniforme, transtorno delirante, outro transtorno do espectro da esquizofrenia e outro transtorno psicótico especificado ou transtorno da esquizofrenia e outro transtorno psicótico não especificado.
Nunca houve um episódio maníaco ou um episódio hipomaníaco. Nota: Essa exclusão não se aplica se todos os episódios do tipo maníaco ou do tipo hipomaníaco são induzidos por substância ou são atribuíveis aos efeitos psicológicos de outra condição médica.
Sobre o luto e o
episódio depressivo maior (EDM)
Respostas a uma perda significativa (por exemplo, luto, ruína financeira, perdas por um desastre natural, uma doença médica grave ou incapacidade) podem incluir os sentimentos de tristeza intensos, ruminação acerca da perda, insônia, falta de apetite e perda de peso observados no Critério A, que podem se assemelhar a um episódio depressivo.
Embora tais sintomas possam ser entendidos ou considerados apropriados à perda, a presença de um episódio depressivo maior, além da resposta normal a uma perda significativa, também deve ser cuidadosamente considerada.
Essa decisão requer inevitavelmente o exercício do julgamento clínico baseado na história do indivíduo e nas normas culturais para a expressão de sofrimento no contexto de uma perda. Ao diferenciar luto de um episódio depressivo maior (EDM), é útil considerar que, no luto, o afeto predominante inclui sentimentos de vazio e perda, enquanto no EDM há humor deprimido persistente e incapacidade de antecipar felicidade ou prazer.
A disforia no luto pode diminuir de intensidade ao longo de dias a semanas, ocorrendo em ondas, conhecidas como “dores do luto”. Essas ondas tendem a estar associadas a pensamentos ou lembranças do falecido.
O humor deprimido de um EDM é mais persistente e não está ligado a pensamentos ou preocupações específicos. A dor do luto pode vir acompanhada de emoções e humor positivos que não são característicos da infelicidade e angústia generalizadas de um EDM.
O conteúdo do pensamento associado ao luto geralmente apresenta preocupação com pensamentos e lembranças do falecido, em vez das ruminações autocríticas ou pessimistas encontradas no EDM.
No luto, a autoestima costuma estar preservada, ao passo que no EDM os sentimentos de desvalia e aversão a si mesmo são comuns. Se presente no luto, a ideação autodepreciativa costuma envolver a percepção de falhas em relação ao falecido (p. ex., não ter feito visitas com frequência suficiente, não dizer ao falecido o quanto o amava).
Se um indivíduo enlutado pensa em morte e em morrer, tais pensamentos costumam ter o foco no falecido e possivelmente em “se unir” a ele, enquanto no EDM esses pensamentos têm o foco em acabar com a própria vida por causa dos sentimentos de desvalia, de não merecer estar vivo ou da incapacidade de enfrentar a dor da depressão.