
Orientações para pacientes e familiares
As informações destinadas a pacientes e seus familiares foram traduzidas do site www.neurosymptoms.org por Bruna Bartorelli mediante autorização de seu organizador, Professor Jon Stone, neurologista especialista em transtornos neurológicos funcionais da Universidade de Edimburgo, Escócia.
Outros transtornos e sintomas funcionais
Vários estudos demonstraram que pacientes com sintomas neurológicos funcionais apresentam com maior frequência outros sintomas funcionais em outras partes do corpo, que podem incluir:
Síndrome de dor lombar e hematúria
Síndrome do intestino irritável (SII)
Fadiga crônica inexplicável (veja Fadiga)
Azia e indigestão inexplicáveis (dispepsia funcional)
Dor torácica atípica
Fibromialgia (veja Dor)
Hiperventilação crônica
Disfunção da articulação temporomandibular
Dor facial atípica
Às vezes, isso reflete uma vulnerabilidade de longa data, com diferentes sintomas que vão e vêm desde o final da adolescência / início dos 20 anos.
Nem sempre é esse o caso. O paciente pode ter qualquer um dos sintomas funcionais descritos neste site isoladamente ou pode ser muito saudável até os 40 ou 50 anos e, em seguida, desenvolver muitos sintomas funcionais, mesmo se nunca os tiver tido antes.
Mas pode ser importante saber que não se está sozinho e que esses transtornos são bem reconhecidos.
Síndrome do intestino irritável (SII)
Essa doença comum geralmente se manifesta com dilatação abdominal ou dor associada à obstipação e/ou diarreia. Juntamente com outros problemas abdominais funcionais, é responsável por entre um terço a metade de todos os pacientes observados em serviços de gastroenterologia no hospital. Assim como os sintomas neurológicos funcionais, não há nenhuma doença estrutural que cause esses sintomas. Os gastroenterologistas entendem a SII como um problema genuíno causado por um distúrbio na função do trato gastrointestinal. O foco de atenção nessa doença tem sido observar perturbações no controle nervoso do intestino (incluindo o cérebro).
A síndrome do intestino irritável foi definida por especialistas em gastroenterologia como:
Pelo menos três meses, com início dos sintomas há pelo menos seis meses, de dor ou desconforto abdominal* associados a duas ou mais dos seguintes:
• Melhora com a defecação e/ou
• Início associado a uma alteração na frequência das fezes e/ou
• Início associado a uma mudança na forma (aparência) das fezes
*Desconforto significa uma sensação desconfortável não descrita como dor.
Dispepsia funcional (SII)
Quando as pessoas têm sintomas de azia ou indigestão, mas nada explica os sintomas quando realizam exames adequados. A dispepsia funcional foi definida por especialistas de gastroenterologia como:
Pelo menos três meses, com início dos sintomas há pelo menos seis meses, de um ou mais dos seguintes:
• Empachamento
• Saciedade precoce
• Dor epigástrica
• Queimação epigástrica e
• Nenhuma evidência de doença estrutural (inclusive na endoscopia digestiva alta) que possa explicar os sintomas
Dor pélvica crônica/ períodos dolorosos intensos
Em mulheres com sintomas neurológicos funcionais, há um aumento notável na frequência de problemas ginecológicos. Isso pode incluir
• Dor intensa durante o período menstrual
• Menstruações abundantes
• Dor pélvica crônica
Como resultado desses sintomas, a taxa de histerectomias (remoção do útero) é muito maior em pacientes com sintomas neurológicos funcionais do que na população geral.
Embora haja uma clara associação com esses problemas ginecológicos, não se sabe claramente o que está por trás do seu aparecimento. Uma vulnerabilidade aos sintomas e síndromes de dor pode ser relevante.
O mais importante de saber é que, caso tenha uma história de problemas ginecológicos e agora percebe sintomas neurológicos funcionais, isso pode não ser uma completa coincidência.
Homens com sintomas neurológicos funcionais também são provavelmente mais propensos a desenvolver dor testicular da mesma maneira, embora a literatura sobre isso seja mais escassa.
Dor torácica atípica
Quando as pessoas procuram o hospital por dor torácica, cerca de um terço dos pacientes não têm evidência de doença arterial coronária, estômago/garganta ou outra causa reconhecida de dor. A sua dor é real, porém pode ser recorrente e assustadora, pois se assemelha a sintomas de angina ou aos de um enfarte do miocárdio.
Muitas vezes, ela é chamada de dor torácica atípica. É outro sintoma funcional que corresponde a uma síndrome de dor que afeta o tórax (veja Dor). Dor no peito é sempre algo alarmante. Além disso, o alarme, sob a forma de ansiedade severa aguda (chamada de pânico), normalmente causa uma sensação ainda maior de aperto no peito. Por isso é fácil ver como essas duas condições podem agravar uma à outra num círculo vicioso.
É importante reconhecer que muitas pessoas com dor torácica atípica não são tão ansiosas e não entram em pânico.
Hiperventilação crônica
As pessoas que sofrem hiperventilação crônica (respiram muito rápido e/ou muito profundamente) podem apresentar vários sintomas neurológicos, incluindo tonturas, formigamentos, cansaço e falta de ar. Os pacientes podem ter baixos níveis de dióxido de carbono em circulação por respirarem muito, e isso vai exacerbar os sintomas de uma forma fisiológica.
Tipicamente, a hiperventilação faz parte de um complexo conjunto de sintomas, mas não é a raiz do seu aparecimento. No entanto o tratamento projetado para melhorar a respiração, às vezes chamado de reconversão respiratória, poderá ser muito útil para melhorar os outros sintomas.
AGORAFOBIA
A) Ansiedade por estar em lugares ou situações em que a fuga pode ser difícil (ou embaraçosa) ou em que a ajuda pode não estar disponível no caso de ter um ataque de pânico inesperado ou predisposto por situações ou sintomas semelhantes aos de pânico. Os medos agorafóbicos tipicamente envolvem grupos característicos de situações que incluem estar fora de casa sozinho, estar numa multidão ou em pé numa fila, estar numa ponte e viajar de ônibus, trem ou automóvel.
B) As situações são evitadas (por exemplo, a viagem é restrita), ou então são suportadas com sofrimento acentuado ou com ansiedade em relação a ter um ataque de pânico ou sintomas semelhantes, ou, ainda, requer a presença de um acompanhante.
C) A ansiedade ou esquiva fóbica não se explica melhor por outro transtorno mental.
os tipicamente envolvem grupos característicos de situações que incluem estar fora de casa sozinho; estar numa multidão, ou em pé numa fila; estar numa ponte; e viajar de autocarro, comboio ou automóvel.
B) As situações são evitadas (por exemplo, a viagem é restrita) ou então são suportadas com sofrimento acentuado ou com ansiedade em relação a ter um ataque de pânico ou sintomas semelhantes ao pânico, ou exigir a presença de um acompanhante.
C) A ansiedade ou evitação fóbica não é melhor explicada por outra perturbação mental.