Tratamentos

 As informações destinadas a pacientes e seus familiares foram traduzidas do site www.neurosymptoms.org por Bruna Bartorelli mediante autorização de seu organizador, Professor Jon Stone, neurologista especialista em transtornos neurológicos funcionais da Universidade de Edimburgo, Escócia.

Tratamento das crises conversivas/não epiléticas – parte 1

Considerando as crises dissociativas como algo comum, é um tanto chocante que haja tão poucas opções terapêuticas para esses pacientes.

Mas nos últimos anos tem havido alguns progressos nessa área. Esta seção é baseada nessas descobertas, mas também na própria experiência dos autores em tentar ajudar centenas de pacientes com crises conversivas a ficarem melhores.

Se ainda não as leu, veja as seguintes seções antes de avançar:

1. Convulsões/ crises não epiléticas

É muito importante entender que esse tipo de crise é comum, e não significa que a pessoa esteja ficando maluca, não resulta em ferimentos físicos graves e é potencialmente reversível sem medicação.

2. Compreender o diagnóstico

É essencial a confiança no seu médico.

3. Psicologia? Não estou maluco

Leia essa seção para compreender por que razão o seu médico poderá ter sugerido uma consulta com o psicólogo.

Aprender a reconhecer sintomas de aviso

A maioria dos pacientes com crises não epiléticas ou conversivas tem um sintoma de aviso antes das suas crises – mas nem sempre, e muitas vezes são muito breves, durando apenas alguns segundos.

Alguns pacientes têm um sintoma de aviso, mas não conseguem recordar após a crise. Às vezes, um amigo ou parente poderá se lembrar, mesmo que o paciente não o consiga.

Outros pacientes nunca têm um sintoma de aviso.

Mas aprender a reconhecer os sintomas de alerta pode ser um fator-chave para aprender a controlar essas crises.

Durante a crise, você perde o controle do seu corpo. O objetivo do tratamento é encontrar estratégias para te ajudar a recuperar o controle.

Um estudo feito em Londres em pacientes com crises dissociativas mostrou que tipo de sintoma pode aparecer nessa fase de alerta. Os autores compararam pacientes com crises conversivas a pacientes com crises epilépticas. Sintomas como dor no peito, coração acelerado, falta de ar, sudorese, dormência ou formigamento ou uma sensação de que se está “enlouquecendo” eram muito comuns em pacientes com convulsões conversivas antes das crises.

Eles são todos sintomas correspondentes a uma descarga de adrenalina e também podem ser observados nos ataques de pânico. Revelam que o sistema nervoso entrou num estado de “alerta vermelho”.

Tabela 1. Pacientes com crises dissociativas frequentemente apresentam sintomas que sugerem que estão em estado de “alerta vermelho” antes da crise (de John Mellers e Laura Goldstein. “Sintomas de comportamento evasivo e dissociação em pacientes com crises dissociativas”. Neurology, Neurosurgery, and Psychiatry 2006; 77: 616-621)

O mesmo estudo também mostrou que os pacientes com crises dissociativas tinham uma probabilidade muito maior de desenvolver medo de sair sozinhos ou estar num lugar com multidões ou onde a fuga pudesse ser difícil. Muitas vezes isso acontece porque os pacientes temem a sensação de desconforto/vulnerabilidade ou a confusão potencialmente geradas por uma crise.

Os pacientes com crises dissociativas também se sentem às vezes preocupados com as consequências destas. “Talvez depois eu não possa me recuperar?”, “Talvez eu fique incapacitado ou ‘fora do meu controle’ de alguma forma.”

Às vezes, a crise dissociativa é a maneira de o seu corpo “se livrar” das sensações horríveis que são vivenciadas durante a fase de alerta. Não é que você esteja deliberadamente perdendo a consciência, mas, pelo menos, ao ter a crise, os sintomas de alerta vão embora e às vezes é assim que um padrão de crises se estabelece.

Aprender a atuar perante os sintomas de alerta…

Então você pode estar se perguntando como é que tudo isso ajuda?

Se você aprender a reconhecer os seus sintomas de alerta, mesmo que eles durem apenas alguns segundos, poderá, com o tempo, aprender como os controlar o suficiente para evitar uma crise, recuperando, assim, o controle da situação.

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