
Tratamentos
As informações destinadas a pacientes e seus familiares foram traduzidas do site www.neurosymptoms.org por Bruna Bartorelli mediante autorização de seu organizador, Professor Jon Stone, neurologista especialista em transtornos neurológicos funcionais da Universidade de Edimburgo, Escócia.
Tratamento das crises conversivas/não epiléticas – parte 2
Aprender a reconhecer sintomas de aviso…
O que você pode fazer para tentar intervir quando notar os sintomas de aviso?
Não se assuste!
Surgem pensamentos assustadores quando você percebe esses sintomas? Estes podem ser alguns deles:
“Eu vou me machucar?”
“Isto será muito embaraçoso?”
“Isto é epilepsia?”
“Posso morrer durante a crise?”
Há respostas para todas essas perguntas que não são tão ruins quanto se possa pensar:
“Eu vou me machucar?”
Possivelmente, contusões podem ser comuns e, ocasionalmente, os pacientes podem fraturar um osso, embora isso seja raro. Os médicos que trabalham nessa área geralmente não recebem pacientes com lesões fatais. Parte de você está consciente durante a crise, mas não consegue se lembrar disso depois. Isso parece prevenir lesões sérias. Nos bebês isso não está garantido e, em particular, um número muito pequeno de pacientes parece se machucar durante as crises sem perceber.
“Isto será muito embaraçoso?”
Talvez um pouco, mas vale realmente a pena evitar todas as coisas de que você gosta de fazer por causa disso?
“Isto é epilepsia?”
Não. Se não tem certeza, por que não pergunta ao seu médico?
“Posso morrer durante uma crise?”
Não, isso nunca aconteceu.
Tente se distrair
Os sintomas de aviso podem tornar difícil a concentração em outra coisa. Naqueles poucos segundos antes de uma crise, os seus pensamentos podem ser subjugados pelas sensações físicas que você está sentindo.
Se conseguir aprender a se concentrar em outra coisa ou a se distrair, isso pode ajudar. Por exemplo, algumas possíveis técnicas são:
a. Contar para trás de 100 a 0 de 7 em 7 (“100, 93, 86, 79”) ou 4 em 4 (“100, 96, 92”)
b. Pegue uma revista e comece a ler
c. Fale com alguém
d. Tente jogar um jogo no celular ou em outro dispositivo
e. Tente cantar sua música favorita
Esses são os tipos de técnicas que um psicólogo poderá te ensinar. Elas também são usadas para ajudar as pessoas na superação de ataques de pânico. Ataques de pânico e crises dissociativas não são a mesma coisa, mas geralmente têm muito em comum.
Sensory Grounding (experiência sensorial) é outra técnica
Procedimento para lidar com ameaças de crises ou ataques de pânico
É uma boa ideia praticar estes exercícios regularmente quando estiver se sentindo bem para que, quando realmente precisar, você possa se lembrar exatamente do que deve fazer. Assim que tiver uma convulsão ou um sinal de que vai entrar em pânico:
- Sinta algo, de preferência algo áspero ou com textura, com os dedos e polegares. Concentre-se bem no que sente. Ao fazer isso, coloque os pés no chão e fique atento à solidez do que há debaixo dos seus pés. Se estiver sentado, note a solidez da cadeira debaixo de você.
- Olhe à sua volta e foque nas coisas que consegue ver. Descreva-as em detalhes para si mesmo.
- Preste atenção em que sons você consegue ouvir, por exemplo, pessoas falando, pássaros cantando, barulho de trânsito etc.
- Lembre-se de onde você está, qual o dia da semana, qual ano, quem está com você etc.
- Lembre-se de que está seguro.
Faça com que as outras pessoas se acalmem
Um problema pode ser o fato de as pessoas ao seu redor ficarem alarmadas enquanto você tem uma crise. Para eles também poderá ser benéfica a leitura deste site. Mesmo que não consiga se lembrar da crise, parte de você está consciente durante o episódio. Se as pessoas ao seu redor estiverem alarmadas, isso vai piorar a situação.
Quem estiver com você deve manter a calma, prestar apoio, se certificarem de que haja espaço ao seu redor, não colocar nada na sua boca, esperar que a crise termine e te encorajar a acordar depois. Pode ser até que você seja capaz de continuar a tarefa que estava realizando, no trabalho ou na faculdade, por exemplo.
O que indica que você está progredindo com essas técnicas inclui:
a. Começar a ter mais sintomas de aviso. Muitas vezes, as pessoas têm mais sinais de aviso no início das crises. À medida que elas continuam, eles podem ficar mais curtos, até cessarem. Às vezes as pessoas recebem avisos, mas se esquecem deles devido à crise. Familiares ou amigos podem notar que você apresenta um ar um pouco vazio ou cansado, mais do que o habitual. À medida que se aprende mais sobre as crises, é possível tomar conhecimento de uma fase de alerta da qual você não tinha consciência antes.
b. Reconhece os sintomas de alerta, mas fica menos alarmado quando eles surgem. Compreender o seu diagnóstico e entender o que é a dissociação e os sintomas de “luta ou fuga” podem ter o efeito de reduzir o seu alarme geral em relação à situação.
c. Os seus sintomas de alerta passaram a ser mais longos. Este é um dos objetivos do tratamento. Quanto mais tempo puder tolerar os sintomas de alerta sem perder a consciência, mais perto estará de controlá-los.
d. Já começou a evitar alguns dos episódios. Ao aprender a se distrair ou a ficar menos preocupado com os sintomas, você vai descobrir que só tem o sintoma de alerta, e não a crise.
e. Você passou a ficar consciente durante toda a crise. Isso pode ser assustador para pacientes que geralmente ficavam inconscientes ou com amnésia em uma crise. Mas, se isso acontecer com você, mostra que está começando a ter mais consciência dos episódios, e esse é mais um passo na direção certa.
Mas eu não compreendo o que faz a crise terminar
Os pacientes com crises conversivas muitas vezes ficam confusos com o caráter aparentemente aleatório dos seus ataques.
Muitas vezes eles são completamente aleatórios, mas às vezes são menos inesperados do que se possa imaginar. As situações mais comuns nas quais as crises dissociativas ocorrem são:
1. Sentado ou deitado em repouso, sem estar ocupado: Nesse estado de repouso, o seu corpo fica muito mais vulnerável a uma crise, porque seu cérebro não está focado ou distraído com outras coisas. É mais fácil estar ciente de sensações físicas como respiração, batimentos cardíacos ou tonturas.
2. Em situações com muitas pessoas/ locais onde a fuga é difícil: Mesmo que não esteja conscientemente pensando nisso, alguns pacientes com crises dissociativas terão maior probabilidade de ter uma em situações nas quais as consequências da crise serão mais acentuadas. Muitas vezes, isso ocorre num shopping ou cinema, por exemplo, e é mais desconcertante do que ter uma crise em casa. Quanto mais antecipar a possibilidade de uma crise e as suas consequências adversas, mais provável é que isso aconteça.
3. Desencadeada por pensamentos e memórias: Alguns pacientes com crises dissociativas podem perceber que elas são desencadeadas por lembranças ou pensamentos desagradáveis.
4. Em situações médicas: Geralmente na sala de espera ou na consulta. Isso parece ser por causa da expectativa de ter que falar sobre as crises com um médico e precisar pensar sobre isso.
Quando está sob estresse, como, por exemplo, durante uma discussão ou correndo para chegar a algum lugar, o seu cérebro está distraído demais para que a crise ocorra. É por isso que as crises dissociativas geralmente não acontecem quando as pessoas estão preocupadas com outra coisa.