Transtorno dissociativo

Por Bruna Bartorelli, Antônio Paulo Rinaldi Asciutti, Guilherme Braga Cliquet  

Sumário 

  • Introdução 

  • História da dissociação 

  • Epidemiologia e fatores de risco 

  • Fatores de risco 

  • Etiopatogenia e neurobiologia 

  • Quadro clínico, diagnóstico e comorbidades 

  • Curso e evolução 

  • Exames complementares 

  • Diagnóstico diferencial 

  • Tratamento 

  • Transtorno dissociativo de identidade 

  • Amnésia dissociativa 

  • Transtorno de despersonalização/desrealização 

  • Vinheta clínica 

  • Para aprofundamento 

  • Referências bibliográficas 



INTRODUÇÃO 

A dissociação é definida como uma descontinuidade da integração da consciência, memória, identidade, emoção, percepção, representação corporal, controle motor ou comportamento. Fenomenologicamente, compreende um espectro de experiências que transitam entre a atividade psíquica normal, como estreitamentos de consciência e atenção (p. ex., ao ler um livro) ou estados relapsos (p. ex., distrair-se na estrada e deixar de tomar a saída correta), até estados patológicos graves, como o não reconhecimento de si em frente ao espelho ou o esquecimento da própria biografia.

Historicamente, associou-se a dissociação à ocorrência de vivências traumáticas de diversas naturezas, mas hoje sabe-se que essas vivências não são condições necessárias para o aparecimento de sintomas dissociativos. 

A dissociação é considerada patológica quando acarreta sofrimento significativo e perda da funcionalidade nos campos pessoal, familiar ou profissional. A psiquiatria reconhece sintomas dissociativos em diversos transtornos e não apenas naqueles classificados como dissociativos. Neste capítulo, abordaremos mais profundamente os transtornos dissociativos especificados na quinta edição do Manual diagnóstico e estatístico de trans tornos mentais: transtorno dissociativo de identidade, amnésia dissociativa e transtorno de despersonalização/desrealização.

Transtornos dissociativos manifestam-se como intrusões espontâneas na consciência com perdas de continuidade na experiência subjetiva. Isso leva à incapacidade de acessar informações psíquicas e de controlar as funções mentais. No transtorno dissociativo de identidade, isso se apresenta como uma ruptura da memória autobiográfica e do sentimento de identidade única. Na amnésia dissociativa, ocorre um comprometi mento da memória autobiográfica potencialmente reversível.  No transtorno de despersonalização/desrealização, o indivíduo experimenta sentimentos de destacamento ou estranhamento em relação a si ou ao mundo. 

O diagnóstico de sintomas e transtornos dissociativos é realizado com pouca frequência por profissionais de saúde. Em média, pacientes demoram oito anos desde que procuram ajuda médica para receberem o diagnóstico deles4. Diversas hipóteses para a ocorrência de subdiagnóstico foram formuladas:  poucos programas de treinamento em saúde mental educam  sobre a dissociação2, muitos profissionais de saúde não investigam essas condições5,6, clínicos atentam mais a outros transtornos psiquiátricos do que a transtornos dissociativos, pacientes  com identidades dissociadas dificilmente apresentam transição perceptível entre elas7 e pessoas com fenômenos dissociativos raramente descrevem-nos voluntariamente em consultas  com profissionais de saúde. 

Para saber mais, compre o livro Clínica Psiquiátrica volume 2º.

Referencia:

Bartorelli B, Asciutti APR, Cliquet GB.. Transtorno dissociativo. “In”: Euripedes Constantino Miguel, Beny Lafer, Helio Elkis, Orestes Vicente Forlenza. Clínica psiquiátrica. – volume 2 – As grandes síndromes psiquiátricas no adulto. 2ª edição - Santana de Parnaíba [SP]: Manole, 2020. Pg 527 – 538.

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